quinta-feira, 7 de julho de 2011

Clichê - Educação – Revolução


De  fato, o que não nos  falta são clichês, frases prontas, receitas de bolo, o elixir da “educação”, verdadeiras “formas”, que nada mais fazem que “enformar”, ou seja, criar seres que acatam e obedecem imperativos a granel.
Como assumem os filósofos contemporâneos a respeito da revolução, “ela não nos recebeu, a revolução serviu ao totalitarismo”. Precisamos deixar claro que em oposição a toda essa loja de clichês, que hoje se distrubui gratuitamente no meio dos educadores, precisamos assumir uma fala coerente com a história e com a nossa singularidade. Tornou-se moda na Pedagogia o uso dos mais variados clichês, são tantos que não conseguiria reuni-los aqui.
Marx, nosso amigo e corajoso revolucionário, que desejou a  vida longe de clichês, mas não viveu para constatar que suas teorias seriam mercadoria nas lojas dos vendedores de clichês. Os  marxistas não deram conta de Marx, nem de  Hegel. Não entenderam o projeto de “alargamento”, de respeito as “singularidades”.
Naquele instante da revolução, onde as consciências lutavam por reconhecimento ( já em nossos dias isso ocorre de forma mais pálida e sufocada por mil clichês vendidos-doados em toda parte), o homem nega a possibilidade de mudança e alrgamento, aderindo e aceitando mais clichês.
Uma analogia que nos  faz refletir bem esse momento, é a imagem do senhor e escravo ou nobre e escravo, onde Nietzsche chama nossa atenção para algumas verdades que doem.
Senhor ou nobre e o escravo: na relação autoritária o senhor só é senhor, se for reconhecido como tal pelo escravo. Já o escravo permanece numa relação de negação anterior, o escravo nega a natureza por meio do seu trabalho. Ele nega a natureza quando ele entrega o fruto do seu trabalho ao nobre. Logo, a condição do nobre depende da maneira como o escravo age. Pois, o senhor só é senhor pelo mivimento do escravo, o senhor enxerga sua liberdade no trabalho do escravo.
Já o escravo tem duas saídas:
1ª no momento que o escravo reconhece sua humanidade no seu trabalho, ele rebela-se o volta-se contra o nobre, exigindo sua autonomia. (seria esse o  caminho da saída da tutela do senhor)
2ª o escravo resente-se, ressentimento aqui é tomado como mágoa e inveja, pois o escravo desejo tornar-se senhor, a ressentimento tomo o lugar da autonomia.
Segundo Nietzsche, nossa sociedade fora educada numa cultura ressentida, onde sempre o escravo desejoso invejav ao senhor, ou quando não acomodava-se acreditando na libertação divina. Creio que se continuarmos vagarosos, aceitando e repetindo clichês, seremos mais ovelhas de um rebanho, nas palavras de Nietzsche seremos “animais que marcham num rebanho”. Nietzsche apostava na perspecitiva, no alargamento, na defesa da  vida ainda que fosse uma bactéria, na multiplicidade de manifestações. Mas, Nietzsche regurgitava os clichês, receitas prontas, manuais de uso do humano. Revolução acontece começando da micro estrutura como gritava Michel Foucault, revolução e revisitar a história num movimento de alrgamento para o novo com dizia Merleau-Ponty, e nas minhas modestas palavras creio que não cometeremos grandes e pequenas rachaduras nas estruturas usando clichês pedagogicos e receitas perfeitas.
Como já diz nosso maior poeta contemporâneo vivo na versão da canção Sonho impossível de chico Buarque que diz que é preciso “Negar quando a regra é vender”…
Viva o perspecitivismo, viva o alargamento, viva aos loucos…
Abaixo aos clichês, nota zero aos imperativos, basta ignorância…
Neguemos…

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