De
fato, o que não nos falta são
clichês, frases prontas, receitas de bolo, o elixir da “educação”, verdadeiras
“formas”, que nada mais fazem que “enformar”, ou seja, criar seres que acatam e
obedecem imperativos a granel.
Como assumem os filósofos contemporâneos
a respeito da revolução, “ela não nos recebeu, a revolução serviu ao
totalitarismo”. Precisamos deixar claro que em oposição a toda essa loja de
clichês, que hoje se distrubui gratuitamente no meio dos educadores, precisamos
assumir uma fala coerente com a história e com a nossa singularidade. Tornou-se
moda na Pedagogia o uso dos mais variados clichês, são tantos que não
conseguiria reuni-los aqui.
Marx, nosso amigo e corajoso
revolucionário, que desejou a vida longe
de clichês, mas não viveu para constatar que suas teorias seriam mercadoria nas
lojas dos vendedores de clichês. Os
marxistas não deram conta de Marx, nem de Hegel. Não entenderam o projeto de
“alargamento”, de respeito as “singularidades”.
Naquele instante da revolução, onde
as consciências lutavam por reconhecimento ( já em nossos dias isso ocorre de
forma mais pálida e sufocada por mil clichês vendidos-doados em toda parte), o
homem nega a possibilidade de mudança e alrgamento, aderindo e aceitando mais
clichês.
Uma analogia que nos faz refletir bem esse momento, é a imagem do
senhor e escravo ou nobre e escravo, onde Nietzsche chama nossa atenção para
algumas verdades que doem.
Senhor ou nobre e o escravo: na
relação autoritária o senhor só é senhor, se for reconhecido como tal pelo
escravo. Já o escravo permanece numa relação de negação anterior, o escravo
nega a natureza por meio do seu trabalho. Ele nega a natureza quando ele
entrega o fruto do seu trabalho ao nobre. Logo, a condição do nobre depende da
maneira como o escravo age. Pois, o senhor só é senhor pelo mivimento do
escravo, o senhor enxerga sua liberdade no trabalho do escravo.
Já o escravo tem duas saídas:
1ª no momento que o escravo
reconhece sua humanidade no seu trabalho, ele rebela-se o volta-se contra o
nobre, exigindo sua autonomia. (seria esse o
caminho da saída da tutela do senhor)
2ª o escravo resente-se,
ressentimento aqui é tomado como mágoa e inveja, pois o escravo desejo
tornar-se senhor, a ressentimento tomo o lugar da autonomia.
Segundo Nietzsche, nossa sociedade
fora educada numa cultura ressentida, onde sempre o escravo desejoso invejav ao
senhor, ou quando não acomodava-se acreditando na libertação divina. Creio que
se continuarmos vagarosos, aceitando e repetindo clichês, seremos mais ovelhas
de um rebanho, nas palavras de Nietzsche seremos “animais que marcham num
rebanho”. Nietzsche apostava na perspecitiva, no alargamento, na defesa da vida ainda que fosse uma bactéria, na
multiplicidade de manifestações. Mas, Nietzsche regurgitava os clichês, receitas
prontas, manuais de uso do humano. Revolução acontece começando da micro
estrutura como gritava Michel Foucault, revolução e revisitar a história num
movimento de alrgamento para o novo com dizia Merleau-Ponty, e nas minhas
modestas palavras creio que não cometeremos grandes e pequenas rachaduras nas
estruturas usando clichês pedagogicos e receitas perfeitas.
Como já diz nosso maior poeta
contemporâneo vivo na versão da canção Sonho impossível de chico Buarque que
diz que é preciso “Negar quando a regra é vender”…
Viva o perspecitivismo, viva o alargamento,
viva aos loucos…
Abaixo aos clichês, nota zero aos
imperativos, basta ignorância…
Neguemos…
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