Com a decadência do império romano e a invasão dos bárbaros, começava chegar ao fim a influencia da cultura grego-romana, que agora começara a ser substituída por um novo espírito ao mesmo tempo em que preservava algumas características da cultura antiga, e assim submetia esta a um crivo ideológico, isto é, surgia a igreja cristã que se tornava a medida para toda forma de conhecimento, arte, educação e qualquer forma de expressão humana.
Ao percebermos esses movimentos que mudaram a maneira do homem relacionar-se com o mundo e uns com os outros, notaremos no ponto de vista pedagógico no período medieval segundo Gadotti, pode- se dizer que Jesus Cristo foi um grande educador, visto que seus ensinamentos ligavam se intrinsecamente á vida. Através de sua linguagem erudita, o homem Jesus Cristo sabia comunicar-se com o povo humilde que enfrentava uma crise política com as invasões romanas, sendo que através de parábolas retiradas de fatos reais seus ensinamentos produziam esperança e traziam amor.
È preciso aqui fazer a diferença entre Cristo e o cristianismo, ou seja, no filme proposto o que percebemos é uma distancia do maior ideal cristão, a saber, o amor, a igreja romana detinha toda produção intelectual e a leitura da bíblia era apenas autorizada aos religiosos, pois apenas esses possuíam instrução e dignidade para ler as escrituras sagradas, algumas outras barbaridades que a igreja conseguia manter era a proibição das leituras de filósofos gregos, que segunda a santa igreja eram má influencia para a fé cristã. Com isso o mundo deixava de conhecer as grandezas da cultura antiga, muitos autores declaram que a idade média, foi o período das trevas, um período de obscuridade, onde boa parte da produção científica, artística e produção de outras áreas do conhecimento foram proibidas. Mas, segundo outros autores da história, acreditam que houve sim essa proibição que nos fez perder, mas houve sim produção artística e cultural, produção voltada para a fé cristã, sem a abertura para outras perspectivas.
Assim, a educação do homem medieval ocorreu com grandes acontecimentos, como por exemplo, a pregação apostólica que sempre tinha o interesse de manter as bases da igreja segura no poder.
Essa breve introdução relacionada à idade média onde contextualiza o filme “Em nome da Rosa”, que basicamente coloca em xeque a idéia de cristianismo aplicada pela igreja que explorava e dominava de maneira injusta, e opressora como mandava a santa madre igreja. A educação era apenas privilegio da nobreza e do clero que detinha todo o arcabouço do saber. A Baixa Idade Média (século XI ao XV) é marcada pela desintegração do feudalismo e formação do capitalismo na Europa Ocidental. Nesse período ocorrem, transformações na esfera econômica (crescimento do comércio monetário), e social (projeção da burguesia e sua aliança com o rei), política (formação das monarquias nacionais representadas pelos reis absolutistas).
Umberto Eco explora todo o romance e coloca desde a figura da mulher como objeto de exploração sexual e apenas uma reprodutora, ou seja, a mãe, às vezes a figura vinha como a prostituta, ora se apresentava como a santa e virgem Maria. A Rosa, sensível e ao mesmo tempo sedutora e corruptora em forma de bruxa que corrompia através do sexo.
Neste contexto a educação era altamente machista e quem possuía era apenas os nobres e aqueles que dedicavam sua vida a igreja católica, ou seja, aqueles que possuíam o poder, senão aquela educação passada de pai para filho na tradição oral. Durante a Idade Média umas das práticas mais comuns nas bibliotecas dos mosteiros eram apagar obras antigas escritas em pergaminhos e sobre elas escrever novos textos. Eram os chamados palimpsestos, livretes em que textos científicos e filosóficos na Antigüidade clássica eram raspados das páginas e substituídos por orações rituais litúrgicos. No filme, a biblioteca era um labirinto e quem conseguia chegar ao final era morto. Só alguns tinham acesso às obras proibidas.
A partir de Constantino, no século IV, o Império adotou o cristianismo como religião oficial e fez, pela primeira vez, a escola tornar-se o aparelho ideológico do Estado. Porém, este processo educacional permaneceu limitado, pois, só tinha como objetivo doutrinar a sociedade domesticando e utilizando o cristianismo para exploração, ou seja, este período a população pobre não teve acesso a educação continuou no obscurantismo, salve aqueles que dedicavam à vida sacerdotal. Que por ventura muitos eram grandes latifundiários, ou seja, quanto mais ricos os religiosos e nobres convertidos a igreja se tornava uma grande instituição financeira. Detinha todo o monopólio e reinava absoluta. Em suma a Igreja controlava o Estado, retirava do povo o direito do conhecimento e os hereges, aqueles que se opunham contra a grande igreja, eram julgados de forma aristocrática e queimados sem piedade em fogueiras em praça pública. O homossexualismo, a pedofilia e violência sexual contra mulheres também eram comuns na época.
Todo retrato social daquela época foi algo extremamente destrutivo e impediu durante muitos anos o desenvolvimento educacional deixando suas mazelas até hoje. A filosofia, não foi tão ágil no processo de desmistificação e alienação para com os oprimidos ela foi tardia, isso pelo fato de a fé cristã se alastrar de maneira grande, onde qualquer um que se opunha certamente seria punido publicamente a fim de servir como exemplo.
Apenas com a reforma protestante, mais adiante a igreja precisa rever seus caminhos, com a reforma protestante a bíblia fora traduzida para o alemão, e a partir de se momento qualquer que detinha a leitura poderia ler e não submeter-se, o filme retrata bem que a fome de poder da igreja foi um entrave na história da educação, que negou a humanidade o direito de crescer e conhecer.
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