quarta-feira, 29 de agosto de 2012
quinta-feira, 7 de julho de 2011
características da filosofia e da educação durante o período medieval
Com a decadência do império romano e a invasão dos bárbaros, começava chegar ao fim a influencia da cultura grego-romana, que agora começara a ser substituída por um novo espírito ao mesmo tempo em que preservava algumas características da cultura antiga, e assim submetia esta a um crivo ideológico, isto é, surgia a igreja cristã que se tornava a medida para toda forma de conhecimento, arte, educação e qualquer forma de expressão humana.
Ao percebermos esses movimentos que mudaram a maneira do homem relacionar-se com o mundo e uns com os outros, notaremos no ponto de vista pedagógico no período medieval segundo Gadotti, pode- se dizer que Jesus Cristo foi um grande educador, visto que seus ensinamentos ligavam se intrinsecamente á vida. Através de sua linguagem erudita, o homem Jesus Cristo sabia comunicar-se com o povo humilde que enfrentava uma crise política com as invasões romanas, sendo que através de parábolas retiradas de fatos reais seus ensinamentos produziam esperança e traziam amor.
È preciso aqui fazer a diferença entre Cristo e o cristianismo, ou seja, no filme proposto o que percebemos é uma distancia do maior ideal cristão, a saber, o amor, a igreja romana detinha toda produção intelectual e a leitura da bíblia era apenas autorizada aos religiosos, pois apenas esses possuíam instrução e dignidade para ler as escrituras sagradas, algumas outras barbaridades que a igreja conseguia manter era a proibição das leituras de filósofos gregos, que segunda a santa igreja eram má influencia para a fé cristã. Com isso o mundo deixava de conhecer as grandezas da cultura antiga, muitos autores declaram que a idade média, foi o período das trevas, um período de obscuridade, onde boa parte da produção científica, artística e produção de outras áreas do conhecimento foram proibidas. Mas, segundo outros autores da história, acreditam que houve sim essa proibição que nos fez perder, mas houve sim produção artística e cultural, produção voltada para a fé cristã, sem a abertura para outras perspectivas.
Assim, a educação do homem medieval ocorreu com grandes acontecimentos, como por exemplo, a pregação apostólica que sempre tinha o interesse de manter as bases da igreja segura no poder.
Essa breve introdução relacionada à idade média onde contextualiza o filme “Em nome da Rosa”, que basicamente coloca em xeque a idéia de cristianismo aplicada pela igreja que explorava e dominava de maneira injusta, e opressora como mandava a santa madre igreja. A educação era apenas privilegio da nobreza e do clero que detinha todo o arcabouço do saber. A Baixa Idade Média (século XI ao XV) é marcada pela desintegração do feudalismo e formação do capitalismo na Europa Ocidental. Nesse período ocorrem, transformações na esfera econômica (crescimento do comércio monetário), e social (projeção da burguesia e sua aliança com o rei), política (formação das monarquias nacionais representadas pelos reis absolutistas).
Umberto Eco explora todo o romance e coloca desde a figura da mulher como objeto de exploração sexual e apenas uma reprodutora, ou seja, a mãe, às vezes a figura vinha como a prostituta, ora se apresentava como a santa e virgem Maria. A Rosa, sensível e ao mesmo tempo sedutora e corruptora em forma de bruxa que corrompia através do sexo.
Neste contexto a educação era altamente machista e quem possuía era apenas os nobres e aqueles que dedicavam sua vida a igreja católica, ou seja, aqueles que possuíam o poder, senão aquela educação passada de pai para filho na tradição oral. Durante a Idade Média umas das práticas mais comuns nas bibliotecas dos mosteiros eram apagar obras antigas escritas em pergaminhos e sobre elas escrever novos textos. Eram os chamados palimpsestos, livretes em que textos científicos e filosóficos na Antigüidade clássica eram raspados das páginas e substituídos por orações rituais litúrgicos. No filme, a biblioteca era um labirinto e quem conseguia chegar ao final era morto. Só alguns tinham acesso às obras proibidas.
A partir de Constantino, no século IV, o Império adotou o cristianismo como religião oficial e fez, pela primeira vez, a escola tornar-se o aparelho ideológico do Estado. Porém, este processo educacional permaneceu limitado, pois, só tinha como objetivo doutrinar a sociedade domesticando e utilizando o cristianismo para exploração, ou seja, este período a população pobre não teve acesso a educação continuou no obscurantismo, salve aqueles que dedicavam à vida sacerdotal. Que por ventura muitos eram grandes latifundiários, ou seja, quanto mais ricos os religiosos e nobres convertidos a igreja se tornava uma grande instituição financeira. Detinha todo o monopólio e reinava absoluta. Em suma a Igreja controlava o Estado, retirava do povo o direito do conhecimento e os hereges, aqueles que se opunham contra a grande igreja, eram julgados de forma aristocrática e queimados sem piedade em fogueiras em praça pública. O homossexualismo, a pedofilia e violência sexual contra mulheres também eram comuns na época.
Todo retrato social daquela época foi algo extremamente destrutivo e impediu durante muitos anos o desenvolvimento educacional deixando suas mazelas até hoje. A filosofia, não foi tão ágil no processo de desmistificação e alienação para com os oprimidos ela foi tardia, isso pelo fato de a fé cristã se alastrar de maneira grande, onde qualquer um que se opunha certamente seria punido publicamente a fim de servir como exemplo.
Apenas com a reforma protestante, mais adiante a igreja precisa rever seus caminhos, com a reforma protestante a bíblia fora traduzida para o alemão, e a partir de se momento qualquer que detinha a leitura poderia ler e não submeter-se, o filme retrata bem que a fome de poder da igreja foi um entrave na história da educação, que negou a humanidade o direito de crescer e conhecer.
Clichê - Educação – Revolução
De
fato, o que não nos falta são
clichês, frases prontas, receitas de bolo, o elixir da “educação”, verdadeiras
“formas”, que nada mais fazem que “enformar”, ou seja, criar seres que acatam e
obedecem imperativos a granel.
Como assumem os filósofos contemporâneos
a respeito da revolução, “ela não nos recebeu, a revolução serviu ao
totalitarismo”. Precisamos deixar claro que em oposição a toda essa loja de
clichês, que hoje se distrubui gratuitamente no meio dos educadores, precisamos
assumir uma fala coerente com a história e com a nossa singularidade. Tornou-se
moda na Pedagogia o uso dos mais variados clichês, são tantos que não
conseguiria reuni-los aqui.
Marx, nosso amigo e corajoso
revolucionário, que desejou a vida longe
de clichês, mas não viveu para constatar que suas teorias seriam mercadoria nas
lojas dos vendedores de clichês. Os
marxistas não deram conta de Marx, nem de Hegel. Não entenderam o projeto de
“alargamento”, de respeito as “singularidades”.
Naquele instante da revolução, onde
as consciências lutavam por reconhecimento ( já em nossos dias isso ocorre de
forma mais pálida e sufocada por mil clichês vendidos-doados em toda parte), o
homem nega a possibilidade de mudança e alrgamento, aderindo e aceitando mais
clichês.
Uma analogia que nos faz refletir bem esse momento, é a imagem do
senhor e escravo ou nobre e escravo, onde Nietzsche chama nossa atenção para
algumas verdades que doem.
Senhor ou nobre e o escravo: na
relação autoritária o senhor só é senhor, se for reconhecido como tal pelo
escravo. Já o escravo permanece numa relação de negação anterior, o escravo
nega a natureza por meio do seu trabalho. Ele nega a natureza quando ele
entrega o fruto do seu trabalho ao nobre. Logo, a condição do nobre depende da
maneira como o escravo age. Pois, o senhor só é senhor pelo mivimento do
escravo, o senhor enxerga sua liberdade no trabalho do escravo.
Já o escravo tem duas saídas:
1ª no momento que o escravo
reconhece sua humanidade no seu trabalho, ele rebela-se o volta-se contra o
nobre, exigindo sua autonomia. (seria esse o
caminho da saída da tutela do senhor)
2ª o escravo resente-se,
ressentimento aqui é tomado como mágoa e inveja, pois o escravo desejo
tornar-se senhor, a ressentimento tomo o lugar da autonomia.
Segundo Nietzsche, nossa sociedade
fora educada numa cultura ressentida, onde sempre o escravo desejoso invejav ao
senhor, ou quando não acomodava-se acreditando na libertação divina. Creio que
se continuarmos vagarosos, aceitando e repetindo clichês, seremos mais ovelhas
de um rebanho, nas palavras de Nietzsche seremos “animais que marcham num
rebanho”. Nietzsche apostava na perspecitiva, no alargamento, na defesa da vida ainda que fosse uma bactéria, na
multiplicidade de manifestações. Mas, Nietzsche regurgitava os clichês, receitas
prontas, manuais de uso do humano. Revolução acontece começando da micro
estrutura como gritava Michel Foucault, revolução e revisitar a história num
movimento de alrgamento para o novo com dizia Merleau-Ponty, e nas minhas
modestas palavras creio que não cometeremos grandes e pequenas rachaduras nas
estruturas usando clichês pedagogicos e receitas perfeitas.
Como já diz nosso maior poeta
contemporâneo vivo na versão da canção Sonho impossível de chico Buarque que
diz que é preciso “Negar quando a regra é vender”…
Viva o perspecitivismo, viva o alargamento,
viva aos loucos…
Abaixo aos clichês, nota zero aos
imperativos, basta ignorância…
Neguemos…
A EDUCAÇÃO E SUAS PERSPECTIVAS
RESUMO
Compreender
a educação e o modo como ela se da na nossa sociedade, vai muito além de um
estudo sobre a história da pedagogia ou sobre o que os pedagogos disseram a
respeito da educação, posto que um conhecimento apenas teórico desta última,
não se coloca como uma medida suficiente e eficiente para mudarmos seu quadro
atual. Desse modo ao abordarmos na presente pesquisa as idéias dos pensadores
da educação, buscamos indicar o quanto o desenvolvimento da educação está
intimamente relacionado com o crescimento da própria sociedade. Com efeito,
para que a nossa reflexão caminhe realmente séria e aprofundada, além de expor algumas
idéias pedagógicas, também refletiremos á respeito das finalidades dessa
educação, a contribuição oferecida pelos diversos educadores em relação a esta
última, por fim, as tendências atuais e quais medidas e possibilidades que
podem recuperar e resgatar o papel primordial da educação para a sociedade com
todo.
PALAVRAS-CHAVE:
EDUCAÇÃO; SOCIEDADE; TRANSFORMAÇÃO.
INTRODUÇÃO
Tendo em vista a diversidade de autores que contribuíram para uma reflexão
na dimensão da educação e a relevância das idéias do filósofo Rousseau, no que
diz respeito ao tema dessa pesquisa, posto que até hoje as suas idéias são
utilizadas no campo pedagógico, servindo de referencia na área, se colocando
como um dos primeiros autores a entender a criança não somente como objeto da
educação, mas antes como a própria fonte da educação, trazendo uma tendência
voltada para uma pedagogia da existência.
Além disso, se as tendências atuais
em relação ao pensamento pedagógico, e quais as questões que culminaram para o
surgimento dessa crise educacional, não somente no Brasil, mas de forma
abrangente, ressaltando que os fatores que conduziram a essa crise, estão
extremamente vinculados e acompanham as mudanças e a crise da sociedade, e
devido a isso, a importância de entender a educação em seu contexto.
Visando expor algumas perspectivas
de idéias pedagógicas na história, as transformações pelas quais ela passou,
além de pretender indicar algumas possibilidades para essa situação de crise na
qual ela se encontra na contemporaneidade, mostrando as bases que conduziram a
esta última, estimulando todos á uma reflexão sobre a questão da educação, que
diz respeito a toda sociedade. Não é o desejo, indicar caminhos prontos ou
saídas rápidas, mas esse estudo pretende refletir e trazer a discussão do tema,
um assunto tão gasto muitas vezes por suas abordagens descontextualizadas.
A EDUCAÇÃO E SUAS PERSPECTIVAS
Para compreendermos o modo como
se dá a educação atualmente, como ela foi se desenvolvendo historicamente e as
transformações pelas quais ela passou, até se tornar aquilo que é no mundo
contemporâneo, é necessário que antes se compreenda como ela foi se
transformando no decorrer da história, atendendo as necessidades de cada época.
Em suma refletimos sobre novas perspectivas e tendências para o quadro
educacional atual.
Assim, entende-se que a educação
tradicional que se viu na sociedade de classes da Idade Antiga, que só era dada
a uma minoria, começou o seu declínio já no movimento renascentista, embora
sobreviva até hoje. A educação nova que apareceu com o filósofo Rousseau, desenvolveu-se
nesses dois últimos séculos e trouxe numerosas conquistas, sobretudo nas
ciências da educação e nas metodologias de ensino.
Mas a educação tradicional e a
educação nova, esses grandes movimentos da história do pensamento pedagógico e
da pratica educativo, tem um traço comum que é o de conceber a educação como um
processo de desenvolvimento pessoal, individual.
O traço mais original deste
século, na educação, é a mudança da formação puramente individual do homem para
o social, o político, o ideológico. A pedagogia institucional é um exemplo
disso. A educação nos países socialistas é outro exemplo. Assim a educação
deste fim de século tornou-se permanentemente social.
De forma geral, apesar da
diferença existente, há algumas tendências universais, entre elas, a de
considerar como conquista deste século a idéia de que não existe idade para a
educação, de que ela se estende pela vida e que não é neutra.
Vê-se então que houve uma mudança
da própria função social da escola. Chama-se essa nova educação de educação
popular, não porque ela seja destinada apenas às camadas populares, mas pelo
seu caráter popular, socialista e democrático que essa concepção traz. Tanto a educação socialista democrática quanto
a educação permanente, que podem encontrar-se numa única tendência, não são
idéias novas, mas acabam impondo-se neste final de século por exigência do
próprio desenvolvimento da sociedade. Isso mostra o quanto a educação e a
sociedade são interdependentes. Elas correspondem às novas exigências de uma
sociedade de massas e da classe trabalhadora, e não de indivíduos isolados como
nas duas concepções anteriores.
A educação popular e socialista
não é uma idéia abstrata, nem uma ilusão da classe pedagoga. Ela se encontra em
desenvolvimento, por exemplo, no próprio processo de resistência e de luta pela
superação das desigualdades. Neste momento histórico, no Brasil, ela se coloca
como um instrumento dessa luta. Só uma sociedade de iguais, uma sociedade sem
classe, lhe dará estatuto pleno.
Desse modo, poderíamos pensar a
questão escolar através de dois momentos históricos: o da educação tradicional
e o da educação nova.
A educação tradicional tinha como
base a certeza de que a educação destinava-se a reproduzir os valores e a
cultura da sociedade. Os problemas começaram quando essa convivência harmoniosa
entre educação e sociedade foi rompida. Esse momento foi inaugurado por
Rousseau, que contrapunha a inocência da criança ao nascer em uma sociedade
perversa. Mas as respostas à essa questão não foram satisfatórias. A crise da
escola começou com a perda da certeza na qual ela se apoiava em relação à sua
função reprodutora. As respostas a crise poderiam ser divididas em três grupos,
segundo o autor Piletti, em sua obra “Filosofia e história da Educação”:
“O primeiro insiste na falta de funcionalidade
da escola tradicional: são os sintomas através dos quais se manifesta a
“enfermidade” do sistema tradicional de ensino. Pode-se ainda falar em alguns
sintomas dessa ausência de funcionalidade: o atraso da escola, ligando-se
sempre ao passado; a incapacidade da escola atual de oferecer instrução, simplesmente;
a promoção de estudos de maneira puramente mecânica; o autoritarismo escolar; a
negação das relações interpessoais; o desconhecimento da realidade; a incapacidade
de tratar a relação entre educação e política; a incapacidade de reciclar os
professores que acabam cansados e pouco estimulados. O primeiro grupo de
respostas insiste que é necessária a superação dessas disfunções da escola
atual” (Piletti, 1988, p.59).
O outro grupo de respostas,
segundo o autor citado acima reuniria as várias tendências não autoritárias,
passando pela perspectiva marxista e pela desescolarização. A resposta dada
pela Escola Nova, que renovava principalmente os métodos pedagógicos, cai na
ilusão pedagogista de pretender resolver a crise da educação com propostas
puramente pedagógicas. A pedagogia não-diretiva e a institucional, provenientes
da Escola Nova, são duplamente ilusórias: querem resolver a crise acreditando
na igualdade entre professor e aluno e acreditando que podem chegar à
autogestão social pela autogestão pedagógica. A perspectiva marxista
desvaloriza a ação pedagógica e cai na ilusão sociologista: redução da questão
escolar à questão social. Nesse grupo ele inclui também os que defendem a
desescolarização na sociedade e acabam desistindo de qualquer solução: a escola
é culpada pela sua própria existência.
Vejamos abaixo, como o autor Gadotti trata essa questão:
“A superação dessas tendências
encontra-se na escola viva, concreta, formadora da personalidade política,
social, ativa, científica, socialista. Cada professor, cada classe, cada centro
de ensino, cada sociedade deve desenvolver seu esforço em função de seus
problemas e de suas possibilidades. Somente esse esforço comum de transformação
social, pode conseguir que a educação seja um processo enriquecedor e
facilitador do desenvolvimento pessoal e social; que a escola compense as
desigualdades ligadas ao meio de procedência; que a escola se vincule à vida e
ás necessidades vitais (família, bairro, cidade) da criança; que a escola sirva
à integração social e a cooperação entre os indivíduos; que desenvolvam ao
máximo as possibilidades e os interesses de cada um; que utilize todos os
recursos disponíveis da sociedade para a aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos;
que a escola finalmente, deixe de reproduzir o statu que e ajude a
transformá-lo”. (Gadotti, 2000, p.158)
Diante disso, ainda nesse contexto de
reflexão das tendências atuais, no que diz respeito a educação, vemos que o
direito à educação é reconhecido mundialmente e está expresso na Declaração
Universal dos Direitos do Homem, aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU)
em 1949. Apesar disso os fatos mostram que, em geral, uma minoria de pessoas
usufrui desse direito. A Organização das Nações Unidas para a educação, a
Ciência e a Cultura (UNESCO) elaborou, no início da década de 1970, um
estratégia de 21 pontos a ser seguida por todos os países que pretendem fazer
do direito à educação uma realidade. É possível notarmos que, o artigo 26 da
Declaração Universal dos Direitos do Homem estabelece:
“1. Toda pessoa tem direito à educação. A
educação deve ser gratuita, pelo menos no que diz respeito ao ensino elementar
e fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e
profissional deve ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve ser
assegurado a todos, em plenas condições de igualdade, em função do mérito”.
2. A educação deve visar ao pleno
desenvolvimento da personalidade humana e ao fortalecimento do respeito pelos
direitos do homem e pelas liberdades fundamentais. Ela deve favorecer a
compreensão a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos
raciais ou religiosos, assim como o desenvolvimento das atividades das Nações
Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os “pais têm, por
prioridade, o direito de escolher o gênero de educação a dar a seus filhos”. (UNESCO,
1970)
Em relação ao direito à educação,
expõe Piaget: “Afirmar o direito da pessoa humana à educação é, pois assumir
uma responsabilidade muito mais pesada do que assegurar a cada um a
possibilidade da leitura, da escrita e do cálculo: significa, a rigor, garantir
para toda criança o pleno desenvolvimento de suas funções mentais e a aquisição
dos conhecimentos, bem como dos valores morais que correspondam ao exercício
dessas funções, até a adaptação à vida social atual. É antes de qualquer coisa,
por conseguinte, assumir a obrigação levando em conta a constituição e as
aptidões que distinguem cada indivíduo - de nada destruir ou malbaratar das
possibilidades que ele encerra e que cabe à sociedade ser a primeira a
beneficiar, ao invés de deixar que se desperdicem importantes frações e se
sufoquem outras”. (PIAGET, Jean. Para onde vai à educação? Rio de Janeiro,
J.Olympio, 1973. P.40).
Do pensamento de Piaget podemos
extrair quatro idéias básicas. O direito à educação significa:
“1. Assegurar a cada indivíduo a possibilidade
da leitura, da escrita, do cálculo;
2. Garantir a toda criança o
pleno desenvolvimento de suas funções mentais e a aquisição de conhecimentos e
valores correspondentes ao exercício dessas funções;
3. Nada destruir ou malbaratar
das possibilidades de cada indivíduo
4. O benefício, primeiramente
por parte da sociedade, das possibilidades individuais. ”(Piaget, 1973, p.40)
Em termos de prioridade teríamos,
assim, uma escala decrescente, sendo o mais prioritário assegurar a cada
indivíduo a iniciação à leitura, à escrita e ao cálculo.
Mesmo se considerarmos apenas o
primeiro item do significado do direito à educação, leitura, escrita e cálculo,
se observarmos vemos que estamos longe de cumprir o preceito estabelecido. As
taxas de analfabetismo ainda são elevadas na maior parte dos países. No Brasil
, em 1980, cerca de 25% das pessoas com quinze anos e mais eram analfabetas, ou
seja, perto de vinte milhões de brasileiros Para podermos perceber melhor a
questão, vejamos o índice de analfabetismo de alguns países: Argentina, 7% (1975);
Bélgica, 2% ; Cuba, 3% ; Síria, 55% ; República Dominicana, 51% ; Peru, 28% ;
Haiti, 80% .
Entretanto, se nos referirmos à
igualdade de oportunidades, veremos que a situação também é grave. Consideremos
apenas os seguintes dados:
Na Bélgica, em 1960-61, um terço
dos 1.368.590 alunos recenseados havia sido reprovados. Na França, em 1973,
500.000 alunos 61% do total, deixaram a escola sem qualquer diploma ou qualificação.
Na Suíça, em 1974 , mais de um terço dos alunos de quatorze anos estavam
atrasados com relação à sua idade.
Na Alemanha, em 1976, um quarto
dos alunos da escola média, metade dos alunos das séries seguintes e
praticamente todos os alunos do científico repetiam o ano ao menos uma vez. Na
Itália, de 32 alunos que entram na escola, apenas onze chegam à 8ª série sem
serem reprovados.
Além desses dados sobre
reprovação, outras informações nos levam a concluir que a escola não contribuiu
para eliminar as diferenças e desigualdades sociais. Alguns dados mostram que a
escola, geralmente, mantém e, muitas vezes, reforça essas desigualdades:
Na França, em 1974, 77% dos
filhos de trabalhadores manuais e operários terminaram a escola com atraso,
contra apenas 16% de filhos de executivos; 61,5% dos alunos “fracos” no fim do
primário são filhos de operários e apenas 0,5% são filhos de executivos; em
1970, 54% dos filhos de operários abandonavam a escola para entrar no mercado
de trabalho, taxa reduzida a 13% entre filhos de executivos.
Pesquisa realizada na Bélgica
mostra que, após dois anos de escola primária, verificaram-se 80% de
reprovações entre filhos de famílias de baixa renda e 20% entre filhos das
classes médias e altas.
Em genebra, Suíça, em 1976, entre
3.20 adolescentes das classes média e alta, 2.400 estavam no científico e
oitocentos em escolas técnicas e comerciais; entre os 4.150 adolescentes das
camadas populares, apenas 650 estavam no científico e 3.500 em escolas
técnicas, comerciais ou de aprendizado manual.
Concluindo, os filhos das classes
médias e altas são educados para exercerem funções correspondentes, conforme o
status do pai, ao passo que os filhos de operários são educados para
continuarem operários. Note que citamos apenas dados referentes à países
considerados desenvolvidos.
Para fazer frente á situação de
desrespeito ao direito à educação, a UNESCO estabeleceu a Comissão
Internacional para o Desenvolvimento da Educação. Após estudar os problemas
educacionais da maior parte dos países, esta comissão apresentou um relatório,
publicado em forma de livro (FAURE, Edgar rt alii. “Aprender a ser”: la
educación Del futuro. Madrid, Alianza /Unesco, 1973). Deste relatório,
interessa-nos o capítulo 8(Elementos para as estratégias contemporâneas, p.
259-323), do qual apenas citamos alguns pontos que constituem a estratégia
educacional pala UNESCO:
“1. Propomos que a educação
permanente seja a pedra angular da política educativa nos próximos anos, tanto
nos países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento, para que todo o
indivíduo tenha a possibilidade de aprender durante toda sua vida”.
2. Prolongar a educação ao
longo de toda a vida, sem limitá-la aos muros da escola, supõe uma
reestruturação global do ensino. A educação deve adquirir as dimensões de um
verdadeiro movimento popular.
3. A educação deve poder ser
repartida e adquirida por uma multiplicidade de meios. O importante não é saber
que caminho o indivíduo seguiu, mas sim o que aprendeu e adquiriu.
4. É preciso abolir as
barreiras artificiais ou antiquadas que existem entre os diferentes tipos,
ciclos e graus de ensino, assim como entre a educação formal e a não-formal.
5. “A educação das crianças em
idade pré-escolar é um requisito prévio essencial de toda a política educativa
e cultural. Por isso, o desenvolvimento da educação pré-escolar deve figurar
entre os principais objetivos da estratégia educativa dos próximos anos”. (UNESCO,
1973)
E
ainda continua:
6. “A educação elementar deve
ser efetivamente assegurada a todos os indivíduos. Por isso, a generalização da
educação básica, sob formas diversas, segundo as possibilidades e as
necessidades, deve ser incluída em caráter prioritário entre os objetivos da
política educativa.
7. O conceito de ensino geral
deve ampliar-se de forma que englobe o campo dos conhecimentos sócio-econômico,
técnicos e práticos de ordem geral. É preciso abolir as distinções rígidas
entre os diferentes tipos de ensino - geral, científico, técnico e profissional
-, conferindo-se à educação, desde o ensino de 1º grau, um caráter
simultaneamente teórico, tecnológico, prático e manual.
8. A finalidade da educação é
formar os jovens não só com vistas a um ofício determinado, mas, sobretudo
capacitá-los para que possam adaptar-se a tarefas diferentes e ao
aperfeiçoamento contínuo, na medida em que evoluem as formas de produção e as
condições de trabalho. A educação deve tender a facilitar a reconversão
profissional.
9. As tarefas da formação
técnica não devem ficar à mercê do sistema escolar apenas, mas distribuir-se
entre as escolas, empresas e educação extra-escolar.
10. No ensino superior é preciso promover uma
ampla diversificação das estruturas, dos conteúdos e dos alunos, abrindo-se o
acesso à universidade a categorias sociais que ainda não podem freqüentá-la”. (UNESCO,
1973).
Diante de tudo isso, vemos que o
primeiro caminho ,indispensável à solução dos problemas que a educação
brasileira enfrenta , é a democratização da própria escola. Esta democratização
está intimamente ligada à da sociedade como um todo. Mas a escola não pode
esperar que a sociedade mude para dar sua contribuição à democracia; assim, na
medida em que modifica sua estrutura interna, de forma a possibilitar a todos
os seus membros uma participação ativa no planejamento, na execução e na
avaliação das suas atividades, a escola está educando para a democracia e
contribuindo para democratização da sociedade.
A democratização da escola pode
ser vista quantitativa e qualitativamente. Em termos quantitativos, além de
possibilitar o acesso à escola de todas as crianças dos sete aos catorze anos,
deve ampliar sempre mais o número de anos escolares para o maior número
possível de crianças e jovens. Entretanto, não basta à população ter acesso à
escola; é preciso que nela permaneça e que esta lhe seja útil, o que exige a
modificação das relações internas da escola, tornando-as mais democráticas. A
democratização qualitativa envolve as relações entre o pessoal escolar. O
diretor não pode ser visto como um rei absoluto, que aplica cegamente a lei. Antes
de mais nada ele também é educador e, portanto, cabe a ele liderar a caminhada
de todos rumo à realização dos objetivos escolares.
Os professores antes de serem
simples transmissores de conhecimentos tarefa na qual seriam facilmente
substituíveis por um gravador ou rádio, educam pelo relacionamento humano que
mantêm com os alunos e pelo estímulo que a estes transmitem no sentido de novas
descobertas e novas realizações.
Os alunos não são coisas,
objetos, manipuláveis aos interesses de diretores, funcionários administrativos
e professores, mas pessoas humanas em formação, sujeitos da própria educação, a
serem respeitados em sua liberdade de seguirem os caminhos que julgarem
corretos a partir das influências educativas que recebem.
A democratização qualitativa
envolve, portanto, o respeito mútuo entre todas as pessoas envolvidas no trabalho
escolar e a participação de todos na busca dos objetivos comuns. O diálogo e o
trabalho cooperativo - e não a repressão e a competição que exacerba o
individualismo - devem ser os valores e as práticas predominantes numa escola
que pretende educar democraticamente para a democracia.
A escola não pode continuar
isolada da comunidade em que atua. Observa-se que, atualmente, até mesmo na
aparência física a escola aparece como algo estranho dentro da comunidade.
Geralmente é um prédio que sobressai entre as casas, cercado por altos muros,
muitas vezes encimados por fios de arame farpado, com portões fechados à chave
e controlados por vigias. Conseqüência disso é que a escola muitas vezes não é
vista e sentida como um bem comunitário, que está a serviço da população local.
Não se estimula a responsabilidade comunitária pela escola. Dessa situação às
depredações de que muitas escolas, especialmente nas grandes cidades, são
vítimas o caminho curto e rápido.
Com base nas palavras de Piletti,
mesmo em pequenas comunidades interioranas, onde o professor, nas horas em que
não exerce o magistério, é pescador, agricultor, etc., isto é, membro da
comunidade, a escola aparece como algo estranho e distante. O professor, nas
horas em que exerce as suas atividades escolares, transforma-se em agente do
poder externo; transmite aos alunos não conhecimentos da comunidade ou
conhecimentos desenvolvidos a partir de sua própria experiência e estudo, mas
aqueles que recebem prontos da autoridade externa e superior ou que retira de
livros didáticos. Esses conhecimentos, por serem estranhos e impostos sem
consideração àquela realidade, dificilmente são aprendidos e poucas
contribuições trazem à vida comunitária.
Felizmente para o bem da educação
brasileira, multiplica-se por todo o Brasil, tanto em grandes quanto médias e
pequenas cidades e mesmo em pequenos povoados e vilas do interior, experiências
positivas de trabalho integrado entre escola e comunidade. Na periferia de São
Paulo, por exemplo, comunidades já estão de organizando para construir suas
escolas pelo sistema de mutirão, com material fornecido pelos poderes públicos;
em Lajes, Santa Catarina, escolas procuram trabalhar em união com as
necessidades comunitárias, desenvolvendo até mesmo trabalhos artesanais
(sapataria, por exemplo) de utilidade para a comunidade. Ainda em muitos
lugares multiplicam-se as hortas escolares.
O que seria interessante é que a
comunidade, através dos pais dos alunos, das lideranças e das organizações
populares, passassem a compartilhar com os educadores a responsabilidade pela
condução da escola. A comunidade pode e deve participar no planejamento, na
execução e na avaliação das atividades escolares.
Observa-se que algumas vezes, os
professores são preparados para trabalhar com alunos abstratos, idealizados,
que não existem na realidade. Logo ao iniciar seu trabalho, o professor percebe
que seus alunos não formam uma turma homogênea, mas apresentam muitas
diferenças entre si. Verifica também que não basta ensinar para que os alunos
aprendam, muito menos quando este ensino é feito de forma a despejar
conhecimentos sobre os alunos, para que estes os devolvam nas provas. Desse
modo, ele passa perceber que o ensino é mais eficaz quando levam em
consideração as diferenças entre os alunos, de interesses, de hábitos de
trabalho, etc. e quando parte da realidade sócio-econômica vivida por eles,
embora não se limitem a ela.
Além dessas verdades, que o
professor aprende mais em sua prática diária do que em sua preparação escolar,
é de fundamental importância que o indivíduo fortaleça constantemente um
princípio e uma convicção que nunca deve abandoná-lo: o princípio e a convicção
de que ele vai trabalhar com pessoas humanas e vai tentar contribuir para o
crescimento e desenvolvimento dessas pessoas.
A atuação junto a seres humanos
em formação estabelece diferenças radicais em relação a outras profissões, a
atividades que se dedicam a manipular coisas, objetos. Acreditamos ser este o
aspecto fundamental do trabalho do professor: nunca esquecer que está lidando
com seres humanos, cujo principal desejo é a sua realização, a sua felicidade,
e fazer tudo que esteja ao seu alcance para que tal desejo possa concretizar-se.
Além de não encarar os alunos
como objetos manipuláveis, e não tratá-los como tais, cabe ao professor dar um
passo adiante. Os alunos não são inimigos ou adversários que necessita
derrotar, submeter a todo custo, controlar a ferro e fogo. Professores e alunos
são aliados, necessitando trabalhar juntos, na concretização de um objetivo comum
de conhecer e transformar o mundo.
O trabalho conjunto, solidário,
só será possível na medida em que tanto professores quanto alunos atuarem como
sujeitos de educação; na medida em que se superar a situação que coloca o
professor como sujeito ativo que tudo decide e determina; e o aluno como objeto
passivo que se limita a sofrer a ação educativa.
O diálogo sincero é o caminho
indicado para que, ao invés de adversários, que procuram prejudicar-se
mutuamente, professores e alunos passem a ser aliados caminhando juntos numa
mesma direção: a construção de um mundo melhor.
A superação dos inúmeros
problemas da educação brasileira passa necessariamente por uma atenção efetiva
aos conteúdos, métodos e recursos empregados em nossas escolas. A escola única que,
que ofereça iguais condições para todo, conforme prevê a Lei nº 5.692/71, ainda
não deixou apenas de ser lei para transformar-se em realidade.
Os conteúdos ensinados na escola
precisam urgentemente deixar de ser estranhos, distantes, apresentados numa
linguagem em que os alunos não entendem, para possibilitar o conhecimento da
realidade em que os alunos vivem e, a partir dela levar ao conhecimento da
realidade mais ampla, do país e do mundo. Não propomos que a escola se limite
ao estudo da cultura local, da comunidade. Somente assim o aluno terá condições
de avançar no sentido do conhecimento de outras culturas, de outros povos.
Os conteúdos escolares não podem
continuar sendo transmitidos como algo estático, que favorece a aceitação
passiva. Para que sejam atingidos os objetivos educacionais é importante que os
conteúdos sejam vistos como vivos, dinâmicos e, mais do que isso, sejam e
reconstituídos pelos próprios alunos que, assim, se sentirão sujeitos da
própria educação e estarão aprendendo a redescobrir e reconstituir a realidade
e o mundo em que vivem. Se assim forem encarados e tratados, os conteúdos
escolares deixarão de ser considerados chatos, sem sentido e sem utilidade,
para tornarem-se atraentes e úteis, na medida em que vêm satisfazer a curiosidade
dos estudantes e seu estudo traz-lhes prazer.
Conteúdos apresentados dessa
forma exigem a mudança dos métodos de ensino. O aluno não pode continuar sendo
paciente do processo, mas deve transformar-se em agente. Portanto
cabe substituir os métodos em que os alunos apenas ouvem, apenas copia, apenas
repete. Em seu lugar é preciso utilizar os métodos ativos, que levam o aluno a
questionar, a procurar respostas para problemas, a ser estimulado a oferecer
soluções concretas, vividas no dia-a-dia.
Além de ativos, os métodos
escolares precisam conduzir à melhoria da convivência social, para que a
solidariedade substitua a violência e a guerra, para que todos tenham uma vida digna.
Para isso, nada melhor do que os métodos de trabalho coletivo, de trabalho em
grupo, nos quais a competição e o individualismo são substituídos pela
cooperação e pela solidariedade.
Nota-se que tais conteúdos só
poderiam existir na escola na medida em que esta contar com recursos
apropriados ao ensino. Não bastam uma sala com carteiras, uma lousa e giz. É
preciso muito mais. Entre outras coisas, as salas ambientes, com materiais
próprios para o estudo de cada matéria que podem ser trazidos em parte pelos
próprios alunos; a utilização dos modernos meios tecnológicos no campo da
comunicação: rádio, televisão, gravador, mapas, cartazes, etc.; o emprego da
arte como recurso didático: cinema, teatro, música, pintura, literatura,
escultura; a possibilidade de pesquisas e trabalhos na comunidade. Estes são
apenas alguns dos recursos de que a escola pode lançar mão para alcançar seus
objetivos. Mas não podemos esquecer os recursos humanos, que são educadores com
remuneração e condições de trabalho adequadas ao exercício da profissão.
Algumas escolas, aquelas destinadas à minoria privilegiada da população, dispõe
de recursos como esses. Então, por que não generalizá-los para todas as
escolas? Seria o mínimo que os poderes públicos poderiam fazer para cumprir a
norma constitucional que os obriga a oferecer ensino para todos, dos sete aos
catorze anos.
Não basta que a educação seja uma prática social,
é necessário que alcance na organização social prioridade que ainda não tem. A
educação, como prática que capacita o indivíduo a viver de forma autônoma e
madura na sociedade convivendo de igual para igual com seus semelhantes,
precisa deixar de ser tratada como um serviço de segunda categoria, de
importância inferior, para tornar-se uma prioridade, pois da seriedade com que
for tratado e dos recursos que dispuser dependerá, em grande parte, a superação
dos graves desafios enfrentados pelo nosso país.
Embora seja uma prática social, que visa
enquadrar o indivíduo na chamada “sociedade adulta”, não podemos atribuir à
educação um papel de simples modeladora da personalidade da criança e do jovem,
em função de uma acomodação passiva e submissa à ordem vigente. Muito mais do
que isso, o objetivo fundamental do ensino de 1º e 2º graus, segundo a
legislação vigente, é proporcionar ao educando a formação necessária ao
desenvolvimento de suas potencialidades. Se for verdade que tal desenvolvimento
deve levar à preparação para o trabalho, é também verdade que deve propiciar a
preparação para o exercício consciente da cidadania e a auto-realização.
Portanto não se trata de modelagem, de produção em série de seres submissos e
passivos; trata-se, isto sim, de ajudar o estudante a tomar consciência da
realidade em que vive, para que nela atue de forma a transformá-la.
Um aspecto muitas vezes esquecido é o ponto de
vista do aluno acerca da escola. Não acreditamos que a escola deva ser tão
desagradável que só através da obrigação e da força consiga manter os
estudantes dentro de seus muros. Pelo contrário, na medida em que o desejo de
aprender e a curiosidade são naturais e universais nos seres humanos, e na
medida em que a escola procura satisfazer esse desejo e nessa curiosidade
acreditamos que nela os alunos encontrem uma fonte de prazer, de satisfação, de
realização pessoal. Se isso não acontece é porque algo deve estar errado. Cabe,
então, aos poderes públicos, aos educadores, aos alunos e à própria comunidade
refletir sobre a situação e procurar seguir sempre mais os caminhos que fazem
da escola um lugar de prazer e alegria para todos.
A educação, sendo uma prática social, não pode
restringir-se a ser puramente teórica, sem compromisso com a realidade local e
com o mundo em que vivemos. O conhecimento é tanto mais eficiente quanto se
fizer na prática e levar a uma prática coerente e consciente. À educação cabe,
por isso mesmo, assumir um compromisso claro e continuo na prática da sala de aula,
no sentido de um esforço constante que contribua para a eliminação da miséria,
da fome e para a construção de uma sociedade mais justa. Além disso, tudo que foi citado acima, no
que diz respeito à medida que poderiam ser tomadas para que houvesse uma
mudança concreta na atual situação da educação, de forma geral, seria
importante também, investir em profissionais altamente qualificados, experientes
e competentes para assumir as responsabilidades do cotidiano de uma sala de
aula; cursos de aprimoramento para que os professores estejam constantemente
atualizando seus conhecimentos e acompanhando as mudanças que ocorrem no mundo;
tornar a carreira de professor algo mais atraente, conferindo a estes salários
melhores e mais justos, o que conseqüentemente atrairia profissionais
talentosos para a área; pensar em sistema que realmente auxiliasse os alunos
com dificuldades no aprendizado, entre muitas outras medidas que poderiam ser
pensadas para transformar o quadro de “esquecimento e abandono”, em que se
encontra a educação. Assim, parece que
muito pode ser feito em relação à situação atual da educação, que como vimos
está em constante transformação, visto que, se houver real disposição de todos
os componentes da sociedade, incluindo-se nisso, aluno, professor, poderes
públicos e políticos e a comunidade, muito pode ser realizado para modificar o
quadro de desigualdades existentes atualmente; o importante é não se ater a um
pessimismo mediante a situação vigente, mas sim tomarmos todas as atitudes
necessárias e que estão ao nosso alcance para transformar a educação em algo
prioritário e de qualidade para o todo.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
ROSSEAU. Emílio ou da educação: Biblioteca do pensamento vivo. 2 Gadotti,
Moacir. História das idéias pedagógicas. 8 ed. São Paulo: Ática, 2000.
318 p.
MONDIN, Batista. Curso de filosofia: Os filósofos do Oriente;
Tradução de Benôni Lemos. São Paulo:
Paulus, 1981. 289p.
MONDIN, Batista. Introdução a filosofia: problemas, sistemas,
autores, obras; Tradução de J. Renard. São Paulo: Paulus, 1980. 272 p.
PILLETI, Claudio. Filosofia e história da educação. 6 ed. São
Paulo: atica, 1988. 264 p.
PLATÃO. A república: Os pensadores. São Paulo: Nova Cultural,
1997. 280p.
Ed. São Paulo: Martins fontes, 1943. 256p.
CHAUÍ, M. Conformismo
e resistência. São Paulo: Brasiliense, 1987.
DEWEY, J. Democracia
e educação. São Paulo: Nacional, 1979.
HOLANDA, S. B. H. Raízes do Brasil. 19. Ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1987.
SEVERINO, A. J. Filosofia da educação construindo a cidadania. São Paulo: FTD, 1994.
Assinar:
Comentários (Atom)